domingo, 29 de novembro de 2015

LOST - de Huaraz, Perú

Huaraz é uma cidadezinha bizarra. Localizada fora do circuito Machu Picchu no Perú, esse é o local certo para quem é apaixonado por trekking.O que fuii fazer lá?

A cidade está entre as Cordilheiras Branca e Negra, e ela em si não atrai muito. Pelo contrário, assusta. Em uma das noites voltando de uma pizzaria onde jantamos (quase uma portuguesa), saiu a maior porrada em frente ao hostel. E tinha neguinho correndo com revólver na mão.

Chegamos em Huaraz às 7:00 horas de uma manhã congelante. Era um tal de sobe e desce em estradas, curvas, vento e chuva, que pensei que chegaria no México, mas não chegaria lá. A ideia era passar uns 3 dias ali, mas como sempre mudo o roteiro, nada era muito certo. Eu queria conhecer o Nevado Pasto Ruri e as Lagunas (Llanganuco e 69). Ambas ficam dentro do Parque Nacional de Huascaran, na Cordilheira Branca, parte norte da Cordilheira dos Andes. Esse foi o motivo que me levou até Huaraz.  


Laguna Llanganuco 


Foi difícil encontrar hostel ali. Não tinha indicação e minhas pesquisas não me trouxeram resultados satisfatórios. Até que encontramos um. Os dormitórios masculino e feminino eram separados (pela primeira vez isso me ocorreu), e Charles e eu nos separamos pra dormir. Sim, Charlito meu eterno companheiro de viagem estava junto.

Laguna Llanganuco 


Quase sem fôlego (e perdida) 

Mas ainda era cedo. Perguntamos sobre os trekkings e o próximo que saia era o da Laguna Llanganuco, às 12:00. Fomos até o  mercadinho próximo e compramos pão, queijo, água e outras coisas para comermos no “almoço”, já que voltaríamos à noite. Assim, preparamos as mochilas de ataque e embarcamos na van que nos levaria até a metade do caminho.
Sacolejos pra cá, sacolejos pra lá. Sobe, desce, curvas, estrada de chão, pedregulhos, mais sacolejos e chegamos na Llanganuco. Como vocês podem ver, ela é linda. Mas a curiosidade maior era a Laguna 69, localizada no topo de uma montanha. Porém, para chegar até ela teríamos que percorrer uma trilha de umas 4 horas de caminhada (para quem já tinha andado 5 dias até Machu Picchu, esse tempo não era nada) e SEM GUIA. O motorista da van disse: “É tranquilo”. Então Charles e eu nos embrenhamos no meio do mato.
Sem folhas de coca, altitude lá em cima, pirei! 
Mais de 1 hora caminhando e a fome bateu. Mas antes da fome bater, sentimos que estávamos meio perdidos no lugar. Tentamos seguir um grupo de mochileiros que caminhava com a gente, mas esses caras tem pernas de 2 metros e fôlego mergulhador de apneia. Traduzindo: eles desapareceram na nossa frente.
Sentamos pra comer e de repente olhei pra cima da montanha. Vi uma pessoa caminhando em zigue zague, mas do tamanho de uma formiga. Teríamos que subir mais de 4 mil metros de altitude pra alcançar a laguna. Já não tinha mais folhas de coca  pra mascar (assim aliviaria os efeitos da altitude) e nem pernas depois da Salkantay. Comemos rápido e tentamos seguir caminho. Mas no meio do caminho tinha um rio e tinha um rio no meio do caminho. Não tinha como atravessar e foi neste momento que nos demos conta de que estávamos fora da trilha e totalmente PERDIDOS.
Pra onde vou? 
Lembrei da minha mãe (que sempre chora quando viajo). A frase que vinha em minha mente, seguido de uma imagem dela quase transparente (como nos filmes, sabe?) era: “Filha, e se você se perder? Tanta gente já morreu nesse tal de Perú, que fico com medo!” Olhei para o Charles e disse:
- Negão, vamos voltar. Estamos perdidos.
Para minha sorte ele concordou. E completou minha frase:
- Perdidos faz tempo!
Caminhamos por mais uma hora  até encontrar a placa que indicava os caminhos. Por causa da altitude, minha pressão baixou assustadoramente (mais uma vez) e propus ao Charles uma soneca na grama, já que teríamos que esperar o resto da turma. Ele aceitou.
Uma soneca faz bem! 
Adormeci encostada em uma pedra. Sono pesado. Acordei com uma vaca (daquelas mimosas) me encarando. Ela dizia com o olhar: “Você está deitada em cima da minha comida, (quase me xingando de vaca). Saia daí”.
Congelei. Saia correndo? Permanecia ali? Resolvi me levantar e antes de dar 3 passos, ela já estava na minha cola, engolindo a grama sobre a qual me deitei.
É. Muita gente gosta de um grelhado para acompanhar a salada. A vaquinha era mais saudável, preferiu apenas a grama. Ainda bem, sobrevivi ao ataque de uma vaca peruana. Como seria o Muuuhhh dela? Seria um Muuullllllll? Puxando uma perninha pro l, como a língua espanhola? Calma gente, acho que essa abobrinha ainda é efeito da altitude (gargalhada alta sozinha às 00:17). 


Olha lá a Mimosa! 
Enfim, não foi desta vez que conheci a Laguna 69. Depois conversando com a galera da van, muitos se perderam. E todos voltaram sem fôlego, não só pela falta de ar, mas pela beleza da Laguna. Eu tinha meus pulmões inteiros. Mas estava cansada de montanha e frio. 

Adormecemos em Huaraz, pensando no próximo destino: Monanita – a Capital Mundial do Suf, no Equador. Eu queria praia. E o roteiro foi alterado mais uma vez. 




Charles me zuando, enquanto eu dormia acabada no terminal de bus.





O que perdi da Laguna 69 (imagem do google)

sábado, 2 de maio de 2015

Mar em Fúria - de Belize, diretamente do Blue Hole.

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Esperando...
 Um dos principais motivos de ter ido à Belize, era o fantástico, memorável, assustador, estupendo (e dê o nome que você quiser), BLUE HOLE. Em Caye Caulker, ilha que fica no meio do Caribe, havia mais vida noturna do que qualquer outra coisa. Não há praias, a não ser a pequena The Split, mas isso é assunto pra outro post. Vou falar dela, mas não agora.



Hoje o assunto é o Blue Hole.



Negociamos um mergulho no tal Grande Buraco Azul. Esse é o maior buraco azul do mundo. Tem pouco mais de 2km de diâmetro, 145 metros de profundidade e é muito, mas muito lindo de pertinho.

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Depois das ondas assassinas
O mergulho incluía: um tanque para o Blue Hole, outro para o Half Moon Caye e outro para The Aquarium. Do meu ponto de vista, só os dois últimos valeriam à pena. Estávamos (Luana e eu), um pouco assustadas quanto mergulhar no Blue Hole. O que sabíamos, da boca do instrutor, era que o mergulho seria rápido: 8 minutos de fundo, descida até os 40 metros de profundidade, tubarões de 4 ou 5 metros nos rodeando, além de uma caverna vertical. Subida rápida, descompressão dividindo o tanque com seu dupla. Por mais que sejamos corajosas, que eu tenha a certificação PADI de mergulho avançado, me achei inexperiente pra tudo aquilo. Preferi deixar pra curtir o que eu veria de mais bonito: os arrecifes de corais, peixes e todo o resto.

Mas a parte mais difícil desse passeio foi o caminho de ida.

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Olha ele ali! Lindo! 
Acordamos bem cedinho, tipo umas 4 da manhã. E a aventura começou exatamente aí. Preparei lanches para Luana e eu, já que o café da manhã do hostel só seria servido às 8. Luana estava em outro hostel, pois não havia mais vagas no que eu estava hospedada, e como cheguei 2 dias antes, acabei ficando onde era mais barato. Assim, combinamos ainda pelo whatsapp, enquanto estávamos ambas no wifi, que nos encontraríamos no meio do caminho. Ela com medo de vir sozinha na madrugada até o hostel onde eu estava, que era na cara do porto onde saíria o barco, e eu com medo de ir buscá-la.

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Blue Hole

Desliguei o celular, peguei minhas chaves, sai da minha cabine (não era um quarto, era uma cabine, que eu dividia com um Búlgaro muito gente boa, por sinal), e desci as escadas do hostel. Um vento forte e assustador soprava lá fora, e era tão forte que eu tinha a sensação de que um Tsunami viria a qualquer momento. O portão, obviamente estava trancado. Mas nenhuma das minhas chaves abria o bendito portão. Subi as escadas correndo e por sorte, havia um casal arrumando as mochilas pra sair. Arrisquei um inglês e juro, não sei de onde saiu a frase "você tem as chaves do portão?", perfeitamente bem pronunciada e construída. Ela fez que sim com a cabeça, desceu comigo, abriu o portão e eu sai em disparada ao encontro da Luana.
No meio do caminho, lembrei que havia esquecido os lanches em cima da pia da cozinha. Mas por sorte, deixei o portão aberto, voltamos até lá, tomamos café e fomos aguardar o nosso barco.

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O primeiro tubarão que apareceu
Um atraso de 40 minutos por parte da empresa que contratamos, mas nada que atrapalhasse o passeio. Estávamos eufóricas!

Mal entramos no barco, e um americano veio puxar papo. "Tira uma foto minha, por favor" e emendamos num papo sobre "de onde você é", "onde está hospedada", "nunca ouvi falar em Cuiabá no Brasil" até que, ele diz, com cara de pouca preocupação:
- Soube que há ondas grandes a caminho do Blue Hole.
- O que? - perguntei tentando entender o inglês dele, que era perfeito, o meu que era péssimo.
- Waves! Big Waves! (Ondas! Ondas grandes).
- Great - esbravejei.
E ele continou dizendo que não era motivo para preocupar-se, pois tinha ouvido que era normal.

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O segundo tubarão
Não dei muita bola, confesso. Em seguida o barco começou a se afastar da costa, e foi quando minha ficha caiu. Ondas grandes? Duas horas de barco até o Blue Hole? Ondas grandes tipo, como? Olhei pra trás, Caye Caulker ficando pra trás e uma sensação de pânico tomando conta de mim.

Me sentei, à pedido da tripulação. "Fiquem todos sentados!" E em menos de 5 minutos, já não via vestígios da ilha onde estávamos. O que via era um barco encalhado, já há semanas, por causa sabe lá Deus o que.

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Mais um


O sol brilhava radiante.

De repente, veio a primeira onda, que bateu de lado no barco, fazendo com que ele ficasse quase a 45 graus. Gritamos brincando: "Se a canoa não virar, olê, olê, olá!" e antes que pudéssemos terminar, veio a segunda onda. E a terceira, e quarta... E elas passavam assustadoramente por cima do barco, que era enorme, com "dois andares". Por vezes não víamos sequer a linha do horizonte, e éramos arremessadas de um lado ao outro, feito bolinhas de ping pong. Enquanto quase todos passaram mal vomitando, Luana e eu quase dormimos, pois metemos dois dramins cada uma, goela abaixo. Um dos tripulantes machucou a boca em uma das ondas assassinas, enquanto eu pensava seriamente onde tinha me metido. Confesso que se eu soubesse como era, JAMAIS teria ido, porque sabia que ia me borrar de medo. E achei que não sobreviveria, de verdade. Foi a primeira vez em 5 mochilões e 12 países, que tive essa sensação.

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Perdi as contas
Foram duas horas assim. Quando nos aproximamos do Blue Hole, veio a calmaria. E ele realmente é LINDO! Supreendente, redondinho, misterioso.

Depois do mergulho rápido dos demais, enquanto apenas fizemos o snorkell, paramos em outro ponto, para o segundo mergulho. Ali sim eu digo, que se você não tem experiência, nem arrisque a ir. Todos equipados e fundo do maaarrr! Mal pulei do barco e já me vi submersa, há mais de 20 metros de profundidade.



De repente, Luana fez sinal (tubarão). Olhei pra trás procurando, não o vi. Quando menos esperava, ele passa quase esbarrando na minha bochecha. Congelei. Adoro esse bichano, mas meteu medo vê-lo tão pertinho. E então veio o segundo, o terceiro, o quarto... eram vários! Alguns tubarões limões, outros tigres. E foi esse que mais deu medo, porque eu jurava que ele me encarava e ia me comer!

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Outro! 
Vi Luana estendendo a mão na direção de um deles, quase querendo alcançá-lo. E quando a prudência falou mais alto, voltamos à superfície.

Mergulhar no The Aquarium também foi lindo. Mas ver tubarões de tão pertinho, enfrentar as ondas assustadoras e assassinas a caminho do maior buraco azul do mundo, foi SENSACIONAL.

Adrenalina pura!





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Luana querendo abraçar o bicho! 






Sobrevivi. E o selfie com o tubarão, ficou para África do Sul, com os tubarões brancos. Esses do Blue Hole estavam muito tímidos! Hahahahaha!




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Half Moon Wall

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Half Moon Wall

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Half Moon Wall 

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Balanço do Mochilão 2015 - América Central - Belize, Guatemala e Honduras

Sempre que viajo, enlouqueço. Não a mim. Algumas pessoas. Eu já tinha falado sobre isso quando voltei da viagem passada, mas vale repetir. Pra quem fica, é realmente bastante complicado. Pai, mãe, cachorro, amigos e tudo o que vem no meio disso. Eles reclamam do começo ao fim da viagem: "Você não vai mais voltar?" "Chega de viajar, já deu, né?" E por aí vai. Mas eu nem ligo, sinto que sou "querida". Ou preencho algum espaço, porque falo à beça, então, acho que na verdade é isso. Eles querem barulho. E isso eu sei fazer. 

Acabei de retornar de mais uma aventura, com mais 3 amigos. Parte dela foi "trabalhando", colhendo informações, fotografando lugares paradisíacos. E a outra parte foi gargalhando. Se bem que, as duas coisas se misturaram no meio e virou tudo uma coisa só. As aventuras você pode conferir aqui, pois irei postando à medida que meu trabalho me permite. O balanço, tú confere agora: 

- Me virei com o inglês. Mímicas, desenhos, gargalhadas e a comunicação ficava cada vez melhor; 
- Nadei com tubarões! E sobrevivi;
- Quase morri a caminho do Blue Hole. O filme Mar em Fúria deve ter sido filmado lá; 
- Sobrevivemos à Tobacco Caye. A aventura, mais tarde; 
- ATM Cave é sensacional! Eu era, literalmente uma louca exploradora de cavernas; 
- Guatemala é meu país favorito dessa viagem. Nunca conheci pessoas tão amáveis como lá; 
- Assar marshmallow em um vulcão foi apetitoso; 
- Fiz muitos amigos, alguns dos quais, jamais esquecerei; 
- Semuc Champey foi de longe, o mais impressionante . Queria abraçar aquilo tudo e trazer pra casa; Ou seria ATM Cave o mais impressionante? Já me perdi... 
- Não rasquei nenhuma calcinha descartável!!! Consegui vestir todas sem jogar nada fora (tô ficando boa nisso); 
- Arrebentei meu chinelo (a maldita Havaiana, se não arrebentasse, não seria eu); 
- Comi tanta Banana Donuts que achei que fosse explodir; 
- Cantei em um Karaokê que parecia o The Voice Honduras; 
- No último dia, ainda tinha 70 dólares nas mãos (fui econômica dessa vez); 
- Voltei cheia de marcas. Os mosquitos de Roatán me devoraram, mesmo com repelente. Ao todo, tinha mais de 150 picadas.


Mas as melhores marcas, não são as que ficaram na pele. Essas somem. As que fazem todo o sentido da viagem, carregarei comigo no coração. Esse sim tá cheio delas!




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quando uma viagem marca além da memória

Algumas viagens marcam muito. Tá. TODAS marcam muito. São experiências diferentes, em países diferentes, com pessoas diferentes em estados de espírito completamente diferentes.

Muitas vezes tento trazer a experiência que tive de volta pra casa, e assim, crio álbuns de fotos intermináveis no FACEBOOk, onde normalmente sigo uma sequência de fotos quase iguais, pra tentar mostrar 1/3 daquilo que vi, vivi, ouvi. Em vão. As pessoas dizem "que lugar bonito!", mas a foto não representa NADA do que realmente é. É muito mais que bonito, na maioria das vezes é "uuuhhhgg", faltou o ar pra respirar de tão lindo que é.

Mas por marcar tanto, essas viagens merecem muito mais do que um álbum no Face. E muitas vezes, marcá-la na pele não parece loucura, mas a escolha mais sensata.

Eu tenho 5 tatuagens. Todas pequeninas e duas delas remetem às minhas viagens. Aliás, uma delas eu fiz enquanto viajava.

Se quer inspiração para marcar na pele sua viagem, segue aí algumas que achei na internet e são super bacaninhas:






Rotas: 
O que seriam os corações da Rota 66? Locais onde surgiram paixões? Ou os pontos mais belos do caminho? Difícil saber. A debaixo é encantadora, um mapa da cidade de Paris. Apaixonante, não?













Vistos: 
Há quem odeie aeroportos. Eu mesma não sou muito fã, ainda mais quando estou voltando pra casa. Me agrada a ideia da ida, embora a ansiedade tome conta de mim. Mas a parte bonitinha é que são nos aeroportos que nossas permissões são feitas. E além do passaporte, a ideia de tatuar isso na pele é bem legal. Gostei.









Bússolas: 
Se oriente! Embora eu tenha a seguinte frase como lema: "Perder-se é a melhor maneira de se encontrar", uma bússola vai bem de vez em quando. Aí você pode adaptar isso fazendo desenhos mais elaborados, como esse da foto em preto e branco. Não é lindo?







Coordenadas:
Muito popular entre viajantes amantes de tatuagens, a ideia é bem interessante. Não precisa necessariamente significar uma viagem. Ela pode mostrar seu lar, ou algo importante que aconteceu durante uma viagem. Ou sabe-se lá, quem sabe um mapa do tesouro.












Mapas: 
Se só a ideia do mapa do mundo te parece comum, o cara da foto foi criativo. Colocou um pouco de tudo. Corajoso, né?









O mundo aos seus pés: 
Uma montanha, uma palavra ou simplesmente, dois pés juntos que formam o Mapa do Mundo. Interessante, não?












Cabe dentro da mala?
Se suas coisas cabem dentro da mochila/mala, o mundo também cabe! Ainda mais numa tatuagem. Essas achei bem diferente, além de bem coloridas.










Se o mundo não está aos seus pés...
Está em suas mãos, nas costas, de qualquer jeito! O que vale é retratar sua vontade e desejo de viajar sempre. O que acho mais legal nessa tatuagem das mãos é que elas só se completam juntas. Ou seja, pra fazer sentido, tem que ser o mundo todo. Tem o mesmo conceito do mapa nos pés.








Minimalistas: 
Uma tatuagem minimalista bem feita diz muita coisa. Pra mim, o avião é o melhor conceito de wanderlust, a ânsia por vagar, uma das palavras mais comuns em tatuagens inspiradas em viagens.






Sabe que pesquisando sobre isso deu até vontade de fazer mais uma?







sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Os 10 Piores conselhos de Viagem



Quando comecei a mochilar, fiz muitas pesquisas e conversei com muitas pessoas. Era muito comum ouvir diversos conselhos, ainda mais porque os locais por onde eu queria passar, realmente não eram países de primeiro mundo.
Alguns dos conselhos foram realmente muito bons. Outros, nem tanto. Muitas dicas ajudaram demais, outras não serviram pra nada. Mas eu entendo que é assim mesmo.
Hoje lí uma matéria da revista Lonely Planet que listava os 10 piores conselhos de viagem. Gostei e resolvi adaptar para minha vida de mochileira. Aí vão eles:

1 - Mulheres nunca devem viajar sozinhas

Assim como você não deve sair sozinha à noite em São Paulo, no Rio de Janeiro, nem na padaria na esquina da sua casa. Sou contra essa afirmação. Nós menininhas de rostinho lindo ou não, homens ou homossexuais, corremos o mesmo risco lá na Indonésia, na Bolívia ou no nosso país, se dermos bobeira. É claro que ter cuidado nunca é demais. Mas ser assaltado no Brasil pra mim é mais fácil do que sofrer isso em Cusco, por exemplo. Em Cusco não passo na mesma rua todos os dias para ir ao trabalho, por exemplo. Coisas ruins acontecem em qualquer lugar e em qualquer idioma. O lance é: não abuse da sorte.

2 - Diga não à comida de rua

Essa dica ou conselho, eu não tinha lido em lugar nenhum, então, no primeiro mochilão pra fora do país, fui parar no Perú. Já tinha lido muito sobre Ceviche, e estava curiosa pra provar. Onde fui parar? No Mercado Municipal em Cusco. Não é dos melhores e mais bonitos. Mas pouco me importei e encarei o tal do Ceviche ali mesmo, em meio à roupas feitas de alpacas, carne de porco, galinhas perambulando e tudo mais. Lambi os dedos. Se fez mal? Não posso dizer que não, mas também não posso dizer que fez. Muitas coisas me fizeram ter diarreia na viagem, inclusive a água bem salobra da Bolívia. Mas chegando no Chile, encarei uma SopaPilla, na rua também. Sou curiosa e faminta e isso não me fez morrer até hoje.
Compartilho da opinião da matéria da revista: a comida de rua é talvez, o caminho mais direto para se conhecer a identidade de um país e DEVE SIM ser parte integrante da viagem. E depois, se passar mal, vai ter mais uma história pra contar para seus netos. Aposto que vão se divertir tentando imaginar sua cara de desespero.

3- Leve traveller's cheques para emergências

Eu nunca usei isso. Sério mesmo. Viajo por esse mundão de meu Deus desde 2009, e nunca usei. Você pode me chamar de louca porque levo minha grana toda na viagem, mas prefiro assim, do que correr o risco de estar no meio do deserto mexicano e não ter um caixa eletrônico ou um estabelecimento que aceite esse diacho. Para emergências eu sempre levo um cartão de crédito, que fica guardado no fundo da mais funda mochila, que nem eu sei onde guardei e só o encontro no free shop. E olhe lá. Em muitos casos, escondo meu dinheiro em bolinhas, em lugares diferentes. Caso eu seja assaltada, o vigarista não me leva toda a grana. Mas o mato de roubar minhas fotos.

4 - No México, tudo é muito apimentado! 

Vou te contar: é meia verdade. Fui bastante consciente disso já que me alertaram por diversas vezes sobre a comida mexicana. E não é bem assim. Em qualquer restaurante, e até porque está escrito na sua cara "turista", os caras te avisam que "pica mutcho". E vai de você experimentar algo caloroso (até o último grau) ou não. Mas confesso que me surpreendi no Burger King. Parei pra tomar café da manhã e pedi um croissant. Imediatamente, bebi quase 30 litros de coca-cola. Mas sobrevivi.

5 - Planeje tudo/não planeje nada 

Tenha em mente uma série de ressalvas para essa afirmação. Desde que o destino e o tempo permitam, planejar pouco ou nada - digamos, para uma viagem pela Grécia na temporada intermediária - pode resultar em uma das aventuras mais inesquecíveis da sua vida. O mesmo porém, não pode ser dito para quem quer pular de ilha em ilha no Caribe na alta temporada. Você pode acabar falido ou dormindo em um banco de praça. Felizmente, a maioria dos destinos fica mais ou menos no meio dessas duas posturas, por isso um equilíbrio entre planejar e não planejar é, em geral, bem seguro. Eu costumo "roteirizar" (essa palavra existe?) as minhas viagens. Faço uma estatística de quanto gasto, traço a rota dos destinos que vou conhecer e compro somente passagens de ida e volta. Mas no meio do caminho, SEMPRE mudo. Uma cidade nova, amigos novos que sugerem aquela praia paradisíaca e excelentes companias, e lá vou eu mudar a rota. Mas lembre-se: para isso, conte sempre com imprevisto.

6 -  A internet do Brasil é uma das piores no mundo, perdendo para o Haiti  

Se é pior ou não, nunca estive lá pra testar. Mas, garanto por experiência própria que a da Bolívia é BEM pior. Então acho que essa estatística está meio equivocada.

7 - Leve mais peças para não ter de lavar roupa 

Pode até ser um raciocínio correto, mas nada prático. Com poucas exceções, lavar a roupa durante a viagem é bem simples e barato. No Panamá, um saco com mais de 6 quilos de roupa, custou U$ 2 dólares apenas. Além disso, quanto mais roupas você levar, mais peso carregará, maior ficará sua bagagem e isso poderá causar incômodos em sua viagem, além do excesso de peso que poderá pagar nas companias aéreas.

8 - Leve solução para lentes de contato/protetor solar/absorventes/remédios sem receita para a viagem inteira. 

Depende muito do destino. Eu digo que na minha primeira viagem mochilando pra fora do País, usei minha farmacinha toda com o guia em coma alcoólico na Bolívia. Além do soro fisiológico que eu usava para limpar meu nariz, que jorrava sangue por causa do tempo seco e da altitude. Nas outras viagens, me lembro apenas de ter tomado Eparema para o fígado, já que umas doses e outras de cerveja/tequila/pisco souer insistiram para serem engolidas. Fora isso, dificilmente uso algo. E quando realmente passei MUITO MAL, apelei para o Seguro Viagem. O hospital onde fui parar era melhor que o hotel onde estava hospedada. Então, dica: faça sempre um seguro viagem. O resto, você encontra nas farmácias locais.

9 - Leve uma faca para se proteger em viagens 

Eu até levo uma. Mas pra descascar uma fruta, passar margarina no hostel quando não acho nenhuma limpa, etc. Além dela, meu canivete segue no bolso, e SEMPRE é muito bem vindo.

10 - Nem se preocupe em levar um guia, você encontra todas as informações na internet

Eu digo que nunca levei nenhum. Claro que é arriscado confiar plenamente na internet, mas sempre me socorro no Mochileiros.com e sei que ali as experiências são verdadeiras, ninguém quer vender nada. Lógico que muitas vezes ocorrem imprevistos, como o fato de não ter mais ônibus voltando de um tour na Costa Rica. E tive que pegar carona pra chegar no hostel, ou dormiria na BR.

Mas, se você se sente seguro comprando guias de viagens, vai em frente! A viagem é sua e cada experiência é única!



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Tartaruga de Botas - de Galápagos - Equador

           Uma das mais engraçadas aventuras no Equador, aconteceu quando eu visitava as tartarugas gigantes.
          Esses bichos parecem... GIGANTES! Mas juro, se colocar rodas, elas viram fuscas. São quase do mesmo tamanho!
          Fui conhecer o habitat natural delas. Já as tinha visto na Fundação Charles Darwin, mas vê-las livres era o que eu mais esperava.
 
 
          Quando chegamos ao local (Charles e eu), fomos obrigados a calçar botas de proteção.


           Estávamos de chinelo e não era aconselhável que usássemos isso, já que há muito mato, e riscos de picadas de formigas. Fiquei me perguntando se as formigas ali também eram gigantes. Uma mordida e eu seria devorada. Não hesitei, resolvi calçar as botas, mesmo depois de procurar pelo número adequado e no final, descobrir que nenhuma delas me serviria.

          Lá fomos nós mato adentro. Pausa pra ver as bichanas, pausa pra foto com as bichanas e eu quase em desespero quando pousei atrás de uma. O tamanho dela era tão absurdo, que naquele momento, se o Charles demorasse mais um segundo para fotografar, eu saia correndo. A sensação é que ela iria virar a qualquer momento e sabe lá Deus o que poderia acontecer. Mas como ele mesmo disse, "dá tempo de você chegar em São Paulo, se ela resolver se virar!" É, eu sabia que ele tinha razão, mas não custava prevenir.

          Quando o tour pelo local acabou, fui descalçar minha botina guerreira. E pasme, ela simplesmente ENTALOU! Não havia sequer um espacinho para que o ar pudesse passar e sei lá, eu enfiar o dedo ali dentro e arrancá-las de mim! Deu pressão. E a bota não saia por nada. De plástico, meio borracha, aquela coisa queria fazer parte do meu corpo. Pra sempre.

          O Charles, com toda sua delicadeza, e rindo feito um retardado tentou me ajudar. Quando ela saiu, chegou a fazer um barulho assim: "flopt!!" Quase como quando o burrinho do Shrek no segundo desenho fica fazendo com a boca perguntando "já chegou?"

        


          Pobre eu. Com medo de tartarugas gigantes e formigas que pudessem me devorar viva, e são as botas que me causam pânico.





Depois foi só diversão nos cascos das tartarugas e gargalhadas, muitas gargalhadas ao lembrar da bota entalada. É, no fim descobri que "entalar" botas em Galápagos também despenteia!!




 

sábado, 3 de maio de 2014

Diferença entre aqueles que vivem e aqueles que acumulam

         Um jovem advogado foi indicado para inventariar os pertences de um senhor recém falecido. Segundo o relatório do seguro social, o senhor não tinha herdeiros ou parentes vivos. Suas posses eram muito simples. O apartamento alugado, um carro velho, móveis baratos e roupas puídas.                 "Como alguém passa a vida toda e termina só com isso?", pensou o advogado. Anotou todos os dados e ia deixando a residência quando notou um porta-retratos em cima de um criado mudo. Na foto estava o velho morto. Ainda era jovem, sorridente, ao fundo um mar muito verde e uma praia repleta de coqueiros. À caneta escrito bem de leve, no canto superior da imagem lia-se "sul da Tailândia".
          Surpreso, o advogado abriu a gaveta do criado e encontrou um álbum repleto de fotografias. Lá estava o senhor em diversos momentos da vida, em fotos em todo o canto do mundo.


          Em um tango na Argentina, na frente do Muro de Berlim, em um tuk tuk no Vietnã, sobre um camelo com as pirâmides ao fundo, tomando um vinho em frente ao Coliseu, entre muitas outras.

          Na última página do álbum, um mapa. Quase todos os países do planeta marcados com um asterisco vermelho, indicando por onde o velho tinha passado. Escrito à mão, no meio do Oceano Pacífico, uma pequena poesia:



"Não construí nada que me possam roubar;  
Não há nada que eu possa perder; 
Nada que eu possa tocar; 
Nada que se possa vender. 
Eu, que decidi viajar, 
Eu que escolhi conhecer, 
Nada tenho a deixar, 
Porque aprendi a VIVER." 


(Autor desconhecido)